quarta-feira, março 16, 2011

Um anti-cotidiano

Lembro de ver nossos filhos no quintal,

Era quarta-feira e não tinhamos escovado os dentes ainda

Acabamos de acordar e fomos ver se já tinham nascido

Inda não, então ficamos eu e eles rindo no balanço na jaqueira

Você veio, e lembro de parecer com a minha mãe, que conseguia ser doce e nos dar uma bronca ao mesmo tempo

Entramos

Aperto o tubo de creme dental no meio

Ela, a mais novinha, me dá uma bronca

Uma linda bronca de uma linda menina

É assim pai...

Aprendo e repito o gesto na escova dele

Ele, muito parecido com você

Incrivelmente sisudo e doce, sorrí, e diz:

Pra cima e pra baixo, pros lados e não esqueça de escovar a língua

Esse era ele dando ensinamentos a uma pai não muito convencional

Esse era eu, barba por fazer, cabelo estranho meio começando a esbranquiçar

Cantava escovando os dentes uma música que não me lembro

Mas se chovia era Sing’in in the rain ou Please don’t care my sunshine away ou Chove chuva

Eles me imitavam, ríamos, gargarejávamos alto ao ritmo da música,

Você chegava, beijava-a, abraçava-o e apertava a sua mão (tratando-o como um homenzinho)

Fazia ondas em meu cabelos, me beijava e dizia que esses eram rituais que faziam a vida valer a pena...

Você lembra?

2 comentários:

Bruna Santana Oliveira disse...

O que dizer agora?
Se você conseguiu fazer recortes de uma vida que ainda não viveu?! E com tamanha saudade nas palavras e carinho e atenção nos gestos descritos?!
Nossa... eu me emocionei! (Risos)
Abraços, com o mesmo carinho das palavras,

Bruna

Psicologia disse...

Ah, vou comentar outra vez. Não pra falar dos textos, mas dessa imagem lindíssima que você colocou agora.

Oh...